quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Só mais um
Olhares e bobeiras. Brincadeiras e brigas. Ele é que vem sempre tão confiante e brincalhão, e ela olha em volta, insegura e fingindo ser forte. É claro que ela não admite que aqueles olhos azuis fazem estragos no seu coração. E ele continua lá, brincando.
Hora ela, hora outra. Como se fosse insignificante aquela dorzinha na boca do estômago quando ele vai mexer no cabelo de outra, contar piadas pra outra, sorrir pra outra. Há alguns minutos era ela. Essas mesmas piadas, esses mesmos sorrisos... "Será que eu sou só mais uma?"
E de repente, ele volta pra ela. Com os abraços de sempre, o sorriso e as brincadeiras de sempre; aquele jeito de olhar e de sorrir de lado que a deixam tão sem jeito. Então, como sempre, ela esquecia o medo e se afogava naquele azul profundo dos olhos dele. Mas lá no fundo, a voz rouca da razão murmurava: "Será que eu sou só mais uma?"
Mal sabia ela que ele era só mais um. Mais um dentre muitos e muitos, que iludem e brincam, e fingem que são especiais. Mas cada um deles é só mais um.
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